
Acomodar o programa de uma habitação unifamiliar numa parcela estreita no centro do Porto, respeitando a escala e a linguagem da casa urbana tradicional da cidade.
Uma organização vertical em torno de uma escada central que distribui os compartimentos em meios-pisos, com fachada monolítica marcada por linhas de estereotomia e composição de embasamento e coroamento.
Uma casa que a escada central unifica por inteiro, publicada na Dezeen e distinguida em prémios nacionais e internacionais de arquitectura.
A Casa Vertical é uma habitação unifamiliar implantada numa estreita parcela de terreno no centro do Porto. O projeto parte da necessidade de acomodar o programa funcional num espaço reduzido, encontrando na verticalidade a resposta para a organização da casa.
A construção acompanha a frente de rua, mantendo a sua escala e proporção, e retoma elementos da arquitetura tradicional da casa urbana do Porto. A composição da fachada, marcada pelas janelas verticais, pela tripartição do alçado e pelo remate em cornija, estabelece uma relação com a estrutura clássica de embasamento e coroamento.
O caráter monolítico da construção é reforçado pela expressão uniforme da fachada e pelas suas linhas de estereotomia, reinterpretando elementos da arquitetura urbana do Porto através de uma linguagem depurada.

A organização da casa desenvolve-se verticalmente em torno de uma escada central, que unifica a intervenção e distribui os diferentes compartimentos em meios-pisos. O guarda-corpo acompanha este movimento, desdobrando-se ao longo da escada como uma peça de origami.
Os espaços sociais comunicam visualmente entre si, permitindo diferentes vivências paralelas em espaços contíguos, mas autónomos. Na semicave, o escritório é iluminado pelo janelão que atravessa o varandim da sala de estar, estabelecendo uma relação visual entre os diferentes níveis da casa.
Os espaços privados ocupam os pisos superiores, onde a organização e o desenho dos compartimentos garantem maior privacidade. Da semicave, onde se preservam as antigas paredes da preexistência, ao rooftop na cobertura, a casa desenvolve uma sequência vertical de espaços adaptados aos ritmos do quotidiano e aos acontecimentos familiares.

A materialidade da casa assume uma expressão depurada e essencial. Os materiais são utilizados na sua expressão em cru, reforçando a unidade do projeto residencial.
O cimento percorre os diferentes pisos, estabelecendo uma continuidade material ao longo da casa. A madeira macia é utilizada nas portas, armários e guarda-corpo, enquanto a pedra de mármore surge nas bancadas da cozinha e das instalações sanitárias.
A contenção da paleta material reforça o caráter monolítico da intervenção e estabelece uma relação de continuidade entre os diferentes espaços e elementos que compõem a casa.
