Casa d’Areja
Implantada numa encosta sobre o Douro, a Casa d’Areja acompanha a topografia. A casa desenvolve-se em meios-pisos encastrados no terreno. Uma topografia habitada que se funde com a encosta em socalcos.
A organização da construção parte da relação com a paisagem e, sobretudo, das vistas sobre o rio Douro. Os diferentes níveis abrem-se predominantemente a nascente, permitindo que os espaços da casa acompanhem a orientação e a inclinação natural do lugar.
A casa procura assim estabelecer um equilíbrio entre construção e espaço verde: uma arquitetura que se adapta à encosta, preserva a sua continuidade e devolve à paisagem a área que ocupa.
Espaço
A casa organiza-se em quatro níveis intermédios ligados por uma escada interior que constitui a sua espinha dorsal. Em paralelo, uma escadaria exterior estabelece a ligação entre as diferentes cotas do terreno e serve também o acesso ao anexo.
Meio-piso acima do acesso, a cozinha e a sala de jantar prolongam-se diretamente para a zona de lazer e a piscina, estabelecendo uma relação contínua entre os espaços interiores e o exterior. No piso seguinte, a sala de estar abre-se sobre o Douro através de um vão rasgado, enquadrando a paisagem a nascente.
Os espaços privados ocupam o piso superior. Um corredor distribui para os dois quartos e a suíte principal – todas orientadas para o rio. O contacto com o exterior prolonga-se através de uma varanda integralmente percorrível. A casa desenvolve-se assim numa sequência de espaços interiores e exteriores que acompanha a topografia e diferentes graus de relação com a paisagem.
Materialidade
A materialidade da Casa d’Areja reforça a relação entre a construção e a encosta. O betão aparente, cofrado em tábua de madeira, assume-se como a matéria dominante, revelando no acabamento a marca do processo construtivo.
As superfícies de madeira aparente e a pedra natural contribuem para a sobriedade do conjunto. A pedra granítica é utilizada no pavimento da zona exterior de lazer e piscina.
Nas instalações sanitárias, o pavimento cerâmico e as paredes em azulejo vidrado criam uma expressão material contínua, associando durabilidade e facilidade de manutenção.
A cobertura plana recebe substrato de terra vegetal e vegetação rasteira, prolongando a superfície verde da encosta sobre a construção e reforçando a leitura da casa como mais um socalco do terreno.
Casa da Levada
Situada numa aldeia de Penafiel, com o rio Tâmega como pano de fundo, a Casa da Levada funde-se com a paisagem rural onde se insere. A arquitetura procura estabelecer uma continuidade visual e física entre a casa e o território, através de uma forma moldada pelo próprio terreno.
A casa parte da ideia de um “natural construído”: uma arquitetura que surge da matéria e das características do lugar, procurando integrar-se na paisagem em vez de se sobrepor a ela. As opções técnicas e construtivas acompanham esta intenção, conciliando integração, eficiência energética, durabilidade e compromisso com a preservação ambiental.
O percurso pedonal até à casa surge como um sulco empedrado sobre a superfície verde do terreno. Uma falha tectónica que separa os volumes destinados aos espaços sociais e privados e conduz ao pátio central.
A casa desenvolve-se em torno deste pátio, abraçando-o e criando um espaço exterior de convívio. As palas horizontais enquadram a paisagem circundante e estabelecem uma relação contínua entre os espaços interiores, o pátio e o território.
A implantação e a organização dos volumes procuram assim prolongar a experiência da paisagem através da própria arquitetura.
A materialidade da casa procura prolongar a relação com o território. As paredes exteriores são revestidas com painéis de cortiça, enquanto a cobertura ajardinada prolonga visualmente o terreno sobre a construção.
No pátio, a pedra da ruína existente foi integrada na construção do pavimento. O desenho da estereotomia parte do reaproveitamento das pedras de granito, transformando a matéria preexistente num elemento ativo da nova arquitetura.
A estratégia construtiva é complementada por soluções orientadas para o desempenho ambiental: piso radiante a água com bomba de calor para aquecimento e refrescamento, sistema de Ventilação Mecânica Controlada com permutador de calor e proteção solar exterior através de brise-soleil ou estores. O posicionamento criterioso dos envidraçados permite otimizar os ganhos solares no inverno e minimizar o impacto do calor no verão.
Fotografia: Ivo Tavares Studio
Casa Vertical
Uma solução de habitação para um lote estreito no centro do Porto.
O carácter monolítico é reforçado pelo acabamento uniforme e as linhas de estereotomia da fachada. De igual modo alude à estrutura clássica de composição, com a demarcação do embasamento e do coroamento.
A organização dos vários espaços faz-se na vertical e desenvolve-se em torno de uma escada central com a distribuição dos compartimentos em meios pisos. A escada unifica a intervenção, onde o guarda-corpo se desdobra como uma peça de origami.
Publicada na Dezeen e distinguida em prémios nacionais e internacionais de arquitectura.