Mood Clínica
Farmácia São João
Implantado num gaveto viário, em Braga, o edifício ocupa uma posição charneira entre duas realidades urbanas distintas: a escala mais intensiva da avenida, marcada por habitação multifamiliar, comércio e serviços, e o carácter predominantemente unifamiliar da rua residencial.
A volumetria clara e contida responde a esta condição através de uma forma curvilínea que acompanha o perfil da via e marca a presença do edifício na esquina. A curvatura funciona simultaneamente como gesto arquitetónico e elemento de identidade, distinguindo o edifício da malha envolvente sem romper com a escala do contexto.
A composição organiza-se em dois pisos acima da cota de soleira, complementados por uma cave técnica, formando uma massa compacta e legível a partir da rua.
Espaço
O programa organiza-se verticalmente de acordo com as diferentes necessidades funcionais da farmácia. O piso térreo é dedicado ao atendimento ao público, com os balcões de atendimento e os espaços necessários ao funcionamento quotidiano.
As áreas técnicas e de arrumos são remetidas para a cave, libertando o piso de entrada para as funções diretamente relacionadas com o público.
No piso superior, os espaços de atendimento e administração distribuem-se em torno de uma circulação central que estabelece a ligação vertical com o piso térreo através de um varandim. A entrada de luz natural é reforçada por uma clarabóia, introduzindo luz no núcleo interior do edifício.
No exterior, os acessos pedonais e o estacionamento são integrados no desenho do lote, prolongando a relação entre o edifício e o espaço público. O acesso é assinalado pelo reclamo luminoso, integrado numa base revestida por jardim vertical.
Materialidade
A materialidade reforça a leitura contínua e monolítica do edifício. A fachada exterior é executada em EPS projetado, criando uma superfície uniforme que acompanha a curvatura do volume e acentua a sua expressão contemporânea.
No interior, o pavimento cerâmico de grande formato estabelece uma base contínua, conjugado com tampos de balcão em tom Suede e mobiliário com costas em painel de carvalho. A combinação procura equilibrar a exigência e durabilidade associadas ao espaço clínico com uma expressão mais quente e acolhedora.
No exterior, os acessos pedonais são executados em mármore de Estremoz jateado, enquanto o estacionamento utiliza grelha de enrelvamento permeável. Estes materiais prolongam para o exterior a atenção ao detalhe e estabelecem uma continuidade cuidada entre a arquitetura, o lote e o espaço público.
Farmácia da Devesa
A fachada de rua convida para o espaço interior através de grandes janelas durante o dia, transformando-se numa generosa vitrine iluminada durante a noite.
O espaço privilegia uma concepção cuidada do espaço interior e do detalhe construtivo. Publicado em revistas e portais de arquitectura.